A imagem é icônica e dolorosa: um beijo no rosto. O sinal da amizade usado como arma de traição.

Sempre que lemos a Paixão de Cristo, sentimos raiva de Judas Iscariotes. Mas, logo em seguida, surge uma dúvida filosófica inquietante: "Será que ele teve escolha?"

Afinal, as profecias do Antigo Testamento diziam que o Messias seria traído por um amigo (Salmo 41:9) e vendido por 30 moedas de prata (Zacarias 11:12). Jesus sabia desde o princípio quem o trairia.

Isso levanta a questão: Judas foi um robô programado por Deus para cumprir um "trabalho sujo"? Se ele nasceu predestinado a isso, seria justo Deus condená-lo ao inferno? Para responder a isso, precisamos olhar para os bastidores do coração de Judas revelados nos Evangelhos.

 

1. Profecia Não é Coação

O primeiro erro é confundir presciência (saber antes) com causalidade (obrigar a fazer). O fato de Deus saber que Judas iria trair não significa que Deus obrigou Judas a trair.

Imagine que você está assistindo ao "replay" de um jogo de futebol que já aconteceu. Você sabe que o atacante vai errar o pênalti aos 90 minutos. O seu conhecimento obriga o jogador a errar? Não. Ele errou por escolha dele; você apenas sabe o resultado. Deus, que está fora do tempo, viu a escolha livre de Judas e profetizou sobre ela. A traição era certa porque Deus não erra, mas ela foi voluntária porque Judas quis.

 

2. O Processo: Ninguém Vira Traidor da Noite para o Dia

Judas não estava possuído pelo diabo durante os 3 anos de ministério. A Bíblia mostra que a queda dele foi gradual e motivada por um vício secreto: a ganância.

Judas Iscariotes

Em João 12:6, descobrimos que Judas era o tesoureiro do grupo e "era ladrão; tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava".

  • Ele viu cegos verem.

  • Ele viu Lázaro ressuscitar.

  • Ele mesmo expulsou demônios (Jesus enviou os 12, e Judas estava lá).

Mesmo vendo a glória de Deus de perto, ele escolheu amar mais o dinheiro. Ele alimentou um pecado de estimação. Satanás só entrou nele (Lucas 22:3) no final, porque encontrou a porta aberta pela avareza constante. O diabo não arromba portas; ele entra onde é convidado.

 

3. As Chances de Graça

Jesus lutou pela alma de Judas até o último segundo. Na Última Ceia, Jesus fez dois gestos profundos de amor para tentar despertar a consciência do traidor:

  1. Lavar os Pés: Jesus lavou os pés sujos de Judas. Imagine a cena: o Criador do Universo de joelhos, limpando a poeira do homem que o venderia.

  2. O Bocado Molhado: Jesus ofereceu pão molhado no molho a Judas. Na cultura judaica, isso era um sinal de honra, dado ao convidado especial. Jesus estava dizendo, em silêncio: "Eu sei o que você vai fazer, mas ainda te amo. Você não precisa fazer isso".

Judas pegou o pão e saiu. Ele endureceu o coração diante do Amor encarnado. Jesus disse: "O Filho do Homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído!" (Mateus 26:24). A soberania de Deus ("está escrito") e a responsabilidade humana ("ai daquele homem") caminham juntas.

 

4. Pedro vs. Judas: A Diferença entre Remorso e Arrependimento

Judas Iscariotes

Muitos perguntam: "Se Judas devolveu o dinheiro e chorou, por que ele não foi salvo?"

Tanto Pedro quanto Judas traíram Jesus naquela noite.

  • Pedro negou Jesus três vezes.

  • Judas vendeu Jesus.

A diferença não foi o pecado, foi a reação.

  • Pedro teve Arrependimento (Tristeza segundo Deus): Ele chorou, mas correu de volta para os irmãos e esperou o perdão. Ele creu que a graça de Jesus era maior que seu pecado.

  • Judas teve Remorso (Tristeza segundo o mundo): Mateus 27:3 diz que ele "tocou-se de remorso". Ele sentiu culpa, vergonha e desespero, mas não buscou a Deus. Ele tentou resolver o problema sozinho (devolvendo o dinheiro) e, quando não funcionou, puniu a si mesmo (suicídio).

O remorso diz: "Eu sou um lixo, não mereço viver". O arrependimento diz: "Eu sou pecador, mas Deus é misericordioso, eu preciso Dele". Judas foi para o inferno não apenas porque traiu, mas porque não creu que poderia ser perdoado. Ele se tornou seu próprio juiz e executor.

 

Conclusão: O Perigo dos Segredos

A história de Judas é um alerta terrível para nós. É possível estar dentro da igreja, andar com Jesus, ver milagres, ter um cargo de confiança (tesoureiro) e, ainda assim, estar perdido.

Judas teve escolha? Sim. Ele escolheu, dia após dia, alimentar sua ganância em vez de sua fé. Ele nos ensina que nenhuma posição ministerial nos blinda se não guardarmos o coração. A porta da graça ficou aberta até o beijo no Getsêmani, mas ele preferiu a prata.

 

Expresse a sua fé em todos os momentos!

A lição de Judas é sobre lealdade e a verdadeira condição do coração. Se você escolheu ser fiel a Cristo e quer expressar essa aliança publicamente, convidamos você a conhecer as camisetas cristãs da OLAW. Roupas que comunicam a verdade do Evangelho que nos libertou.

Visite nossa loja em olaw.com.br e vista a sua fé!