Você entra em uma igreja e vê uma mulher pregando no púlpito. Em outra igreja, na mesma rua, mulheres não podem nem recolher as ofertas. Ambas as igrejas leem a mesma Bíblia, amam o mesmo Jesus e creem no mesmo Evangelho.
Como isso é possível? A questão sobre a ordenação de mulheres pastoras é um dos debates mais acalorados do cristianismo. De um lado, temos o argumento da "Ordem da Criação" (o homem como cabeça). Do outro, o argumento da "Redenção em Cristo" (onde não há macho nem fêmea).
Para não cairmos em machismo nem em feminismo antibíblico, precisamos analisar o texto mais difícil de Paulo e compará-lo com a prática da Igreja Primitiva.
O "Nó" Teológico: 1 Timóteo 2:12
O centro da polêmica está nesta carta que Paulo escreveu ao jovem pastor Timóteo, que liderava a igreja em Éfeso:
"Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja em silêncio." (1 Timóteo 2:12)
Para os Complementaristas (que creem que homens e mulheres têm papéis diferentes), esse texto é uma regra universal e eterna. Eles argumentam que, assim como no lar o marido é o cabeça, na igreja a liderança pastoral/doutrinária deve ser masculina, baseando-se no fato de Adão ter sido criado antes de Eva.
Para os Igualitários (que creem que os papéis são idênticos), esse texto é uma restrição local e cultural. Eles argumentam que Paulo estava corrigindo um problema específico de Éfeso e não criando uma lei para todas as igrejas de todos os tempos.
O Contexto de Éfeso: O Culto à Deusa Diana
Para entender Paulo, precisamos entender onde Timóteo estava. Éfeso era o centro mundial do culto à deusa Ártemis (Diana). Nesse culto pagão, as mulheres eram consideradas superiores aos homens e exerciam autoridade dominadora sobre eles. Além disso, muitas mulheres recém-convertidas em Éfeso eram ricas, mas sem instrução bíblica, e estavam interrompendo os cultos com falsas doutrinas gnósticas.
Muitos teólogos sugerem que Paulo proibiu aquelas mulheres específicas de "assumir autoridade" (a palavra grega usada é authentein, que tem conotação de usurpar ou dominar com violência) até que aprendessem a doutrina correta. O "silêncio" aqui seria a postura de aluno, necessária para aprender antes de ensinar.
Mas... E as Mulheres Líderes da Bíblia?

Se a proibição de Paulo fosse absoluta para todas as mulheres da história, a própria Bíblia entraria em contradição, pois Deus levantou mulheres poderosas em posições de autoridade espiritual e civil.
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Débora (Juízes 4): Ela não era apenas a esposa de alguém; ela era a Juíza e Profetisa de toda a nação de Israel. Ela liderava exércitos e julgava homens. Deus a levantou como autoridade máxima no país.
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Hulda (2 Reis 22): Quando o rei Josias achou o Livro da Lei, ele não consultou Jeremias, mas enviou o Sumo Sacerdote para consultar a profetisa Hulda. Uma mulher ensinando a Palavra de Deus aos líderes homens.
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Priscila (Atos 18): Ela, junto com o marido Áquila, ensinou teologia a Apolo (um grande pregador). O nome dela aparece muitas vezes antes do marido, indicando destaque no ministério.
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Febe (Romanos 16): Paulo a chama de "diaconisa" (serva/ministra) e pede que a igreja de Roma a receba com honra.
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Júnia (Romanos 16:7): Paulo a chama de "notável entre os apóstolos".
O Princípio de Gálatas 3:28
O argumento final para a liberdade no ministério feminino está na essência do Evangelho:
"Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."
No Antigo Testamento, apenas homens da tribo de Levi podiam ser sacerdotes. No Novo Testamento, todos somos sacerdotes (1 Pedro 2:9). O Espírito Santo foi derramado sobre "toda a carne", e profetizaram "vossos filhos e vossas filhas" (Atos 2:17).
Conclusão: Focando no Dom, Não no Título
Seja qual for a posição da sua igreja (se ordena pastoras ou não), uma coisa é inegável: Deus usa mulheres. As mulheres foram as primeiras a anunciar a Ressurreição (pregando para os apóstolos homens!). O Reino de Deus não desperdiça talentos.
A discussão sobre o título "Pastora" pode continuar, mas a vocação para servir, ensinar, profetizar e cuidar de vidas é dada pelo Espírito Santo, que não faz acepção de pessoas. Onde há uma mulher cheia do Espírito, ali há liberdade para o Evangelho florescer.
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